ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário Macroeconômico

Brasil

A deterioração dos princicipais indicadores econômicos em 2015 deixou claro que a economia brasileira atravessa um período de grave recessão disseminada entre os vários setores. Os dados oficiais indicam queda de 3,8% do PIB e o maior déficit nas contas públicas da história no total de R$ 111,4 bilhões. A indústria encolheu 6,2%, a taxa de investimentos na economia passou de 20,2% em 2014 para 18,2%, em 2015. No setor de serviços, a queda foi de 2,7%. O comércio varejista, que sustentava bons indicadores devido ao incentivo dado ao consumo nos últimos anos, teve retração de 4,4% por conta da alta na taxa de desemprego, que fechou o ano em 8,4%, da diminuição da oferta de crédito e da alta dos juros. Apenas a agropecuária apresentou desempenho positivo, com crescimento de 1,8%. O esgotamento do modelo econômico e o fim do ciclo de crescimento associam-se à instabilidade política e institucional. Neste quadro adverso, os agentes econômicos reagem com desconfiança. O resultado é a redução dos investimentos e do consumo.

Ao final de 2015, o questionamento sobre a estabilidade da economia brasileira persistiu sem que houvesse uma luz no fim do túnel para o fim da crise. Os analistas de mercado trabalham com a perspectiva de uma crise crônica, ou seja, a manutenção das dificuldades com mais retração na atividade econômica em 2016. Queda na demanda interna e no nível de emprego, perda do poder de compra como resultado da inflação elevada, déficits nas contas públicas e pressões para aumento de impostos são algumas das questões a serem enfrentadas.

A crise econômica está em interação com uma grave crise política, que abala a confiança nos rumos do país. O risco de impeachment da presidente da República aumentou durante o ano e o governo não conseguiu realizar os ajustes necessários para a retomada segura das atividades econômicas. Some-se a isso os desdobramentos imprevisíveis da operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras, e envolve figuras de destaque no mundo político e empresarial. Este cenário resultou na perda do grau de investimento conferido pela agência Standard & Poor´s, em setembro. Ao longo do ano, com a decisão do Banco Central de não intervir no mercado de câmbio, o Real perdeu valor. A queda acumulada na cotação frente ao dólar atingiu 32,9%, diminuindo significativamente o poder de compra da moeda.

De acordo com o boletim Focus do Banco Central, a média de crescimento entre 2011 e 2018 deverá ser 0,68%, abaixo do necessário para manter a melhora nos indicadores sociais obtida nos últimos anos. A diminuição do emprego formal, que também sustentou a ascensão social das camadas mais pobres da população, tornou-se uma realidade. Só no ano passado cerca de 1,5 milhão de vagas foram fechadas no mercado de trabalho, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).  A inflação anual fechou em 10,67%, maior taxa desde 2002. A subida dos preços foi agravada pela retomada dos reajustes de preços monitorados, como tarifas de energia elétrica e derivados de petróleo, que eram mantidos artificialmente para segurar a alta da inflação.

Além do esgotamento do ciclo de crescimento e do modelo adotado, que previa generosos estímulos ao consumo, o progressivo abandono do tripé da política macroeconômica, que inclui metas de inflação, superávit primário e câmbio flexível, abalou os fundamentos econômicos que conferiram estabilidade ao país. As políticas adotadas resultaram no desmonte da estrutura produtiva, piora no ambiente de negócios, afastamento de investidores e questionamentos sobre a capacidade de reação da economia brasileira. Paralelamente, a crise evidenciou o enorme endividamento do setor público, com custos elevados num momento de baixa da arrecadação motivada pela estagnação econômica. O colapso fiscal prejudica assim União, Estados e municípios, que enfrentam dificuldades para fechar suas contas.

Mundo

No cenário internacional, a crise afetou mais diretamente os países emergentes e uma ligeira recuperação foi registrada nos países desenvolvidos. A China manteve sua trajetória de crescimento, porém em ritmo menos acelerado, o que provocou turbulências no mercado acionário ao longo do ano. O comportamento da economia chinesa faz parte dos planos para reequilibrar a estrutura econômica, que visam incentivar o consumo interno diminuindo o foco nos investimentos e no mercado externo.

A recessão atingiu em cheio economias como a brasileira e a russa, que enfrenta sanções econômicas e dificuldades motivadas pela queda do preço do petróleo. A economia dos Estados Unidos cresceu 2,6%. A consistente retomada de seu crescimento associada a outros indicadores positivos, principalmente no nível de emprego, apontam para a elevação dos juros pelo Federal Reserve Department (FED), o banco central norte-americano. Na Europa, que luta com uma economia estagnada desde a crise de 2008, sinais positivos foram registrados. A taxa de crescimento na Zona do Euro foi de 1,5% com a adoção de estímulos variados para a retomada das atividades. O Japão manteve o cenário de estagnação, com recessão técnica – crescimento negativo – ao longo do ano. A economia da Argentina, principal parceiro do Brasil na América do Sul, apresentou pequenas melhoras, mas permanecem graves desequilíbrios macroeconômicos a espera de correções.

Para 2016, as perspectivas são de que os países desenvolvidos liderem as taxas de crescimento em um momento em que a economia chinesa poderá ainda manter-se em desaceleração”. Com isso, mantemos o prognóstico dos economistas e não estamos afirmando nada.

Previdência

Neste contexto, o aumento da taxa de investimento, que inclui a formação de uma sólida poupança doméstica, é um componente fundamental para mudança de foco na política econômica no Brasil. Os fundos de previdência complementar podem contribuir para isso. As incertezas no horizonte econômico, que abalam os indicadores de emprego, as mudanças na legislação e as dúvidas quanto à sustentabilidade dos benefícios da Previdência Social são indutores para os brasileiros procurarem os planos de previdência privada como investimentos de longo prazo. A Lei 13.183/2015, sancionada em novembro, altera o cálculo da aposentadoria, variando de modo progressivo de acordo com a expectativa de vida da população. Pela nova regra, conhecida como 85/95, o trabalhador pode se aposentar sem a redução aplicada pela incidência do fator previdenciário desde que a soma da idade e de tempo de contribuição atinja 85 para mulheres e 95, para homens. A partir de 2018, será adicionado um ponto na fórmula a cada dois anos. As projeções indicam que em 2050 a população brasileira chegará a 220 milhões, dos quais 67 milhões de adultos acima de 60 anos para 32 milhões de jovens, que terão de sustentar o sistema, que tende a apresentar déficits progressivos. A solução passa, portanto, pelo fortalecimento dos fundos de previdência complementar privada.


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